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segunda-feira, 8 de abril de 2013

O que for, quando for, é que será o que é.


Quando Vier a PrimaveraQuando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo. 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

X escreve direito por linhas tortas


Deus é aquilo que na Ciência normalmente se designa por X, o que está para lá da nossa compreensão.
É muito mais fácil chamar X a tudo e não nos preocuparmos em percebê-lo.
É ainda mais reconfortante substituir o X por um senhor de longas barbas brancas, sandálias e túnica.

É quando confrontados com a Morte (esse grandessíssimo X) que a maior parte de nós e mesmo os grandes cientistas e até os mais acérrimos ateus, resolvem fazer a substituição.

Até encontrarmos a fórmula resolvente, valha-nos X.

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